setembro 21, 2006

As pedras, o Outono e a Primavera

Elas são tantas tantas que eu não consigo dar conta delas, as pedras, elas são todas diferentes, não estou a falar delas em especial, das muito bonitas, estou a falar delas todas, todinhas, algumas nem as faço mexer de tão pesadas serem. È um trauma que eu tenho por elas, até já gosto delas de tanto trabalho me darem.

Elas começaram a perseguir-me há uns anos atrás, foi em 2003. Já passaram três anos e continuo com elas, é uma boa relação, eu fui procurando por elas e elas foram aparecendo, especialmente quando, vencido pela necessidade de terra, elas, oportunistas vieram também, foram toneladas e toneladas delas, também amante da terra fui remexendo e elas continuaram a aparecer.

Já têm feito jeito, às vezes é preciso pedra muita pedra. Às vezes aproveito-as para ornamentar o jardim e as cazolas das árvores, mantêm as terras mais frescas. Mas tem sido uma perseguição, eu, teimoso procuro a terra, essa que não se cansa de rebentar pela Primavera e como por milagre, vem daí as ervas, as plantas etc. tudo rebentando, quase num desafio de quem mais belo quer apresentar, é um espanto o renascer da vida todos os anos.

Estou ansioso pela Primavera, oxalá não haja nenhuma catástrofe agrícola, às vezes acontece, mas nós cá estamos a preparar coisas que queremos ver reviver numa Primavera nova e linda. É o milagre da criação é a vida a dar vida, é o equilíbrio suave e seguro que mantém a orquestra filarmónica em harmonia e perfeição, a este conjunto de maravilhas há quem lhe chame Deus.

O Outono vai já começar depois de amanhã dia 23 de Setembro, é a despedida do Verão, que foi bem quente, quiçá, quente de mais, tudo fugia para as sombras, ou para a praia e também para o ar condicionado. Eu não sei para onde fugia, talvez fugisse de mim mesmo a pensar em algo que se desejava muito, o ser humano é assim, quer sempre atingir o limite na vida, salvar a Pátria e acabar com a miséria. Mas quando assim não é, o que é não é nada, é o desistir o perder da alma e esta é a que tem de estar sempre bem viva.

Voltando às pedras, que eu amo, vou pondo sempre pedra sobre pedra e assim se constrói o nosso castelo o castelo das nossas ilusões, das nossas paixões, na caminhada do êxito ou não.

Eduardo Moreira

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