Almeida Garret
OLHOS NEGROS
Por teus olhos, negros,
Trago eu negro o coração,
De tanto pedir-lhe amores…
E eles a dizer que não.
E mais não quero outros olhos,
Negros, negros como são;
Que os azuis dão muita esp´rança.
Mas fiar-me eu neles, não.
Só negros, negros os quero:
Que em lhes chegando a paixão,
Se um dia disserem sim…
Nunca mais dizem que não.

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