maio 19, 2006


Timor – Mari Alkatiri elege combate à pobreza como causa nacional
Gosto muito de Timor-Leste, porque estive lá durante alguns meses, junto a Atauro, isto no ano 1975, precisamente, quando as forças da Indonésia entraram em Díli com muitas armas e bagagens. Era uma força militar enorme, começaram a bombardear a zona de Díli através de navios de guerra, a ideia era abrir caminho para a invasão terrestre. Ninguém na zona poderia impedir a o ataque.

Obviamente, os militares timorenses refugiaram-se nas montanhas, eles sabiam que ali era o seu santuário, ali quem brincava era os de lá. Para nós portugueses houve sempre a sensação (eu tive, fortemente) de que aquilo que se estava a passar, já não era nos tempos das invasões, e vencia do mais forte e pronto.

Estávamos em 1975 o Presidente do EUA era Gerard Ford, que, deu luz verde aos Indonésios, era juntar tudo na outra parte, Timor Ocidental e com certeza cheirava-lhes ali o petróleo. O Presidente da Indonésia era o General Suhartto, achava, aquilo, muito normal, claro, ainda estava nas antípodas da civilização.

Mas a tal sensação que estava na maioria dos Portugueses era a de que, a razão estava do nosso lado e nem Portugal nem o mundo poderiam tolerar tais invasores. Na ONU esteve lá sempre, nos mapas do Globo Timor-Leste Colónia Portuguesa, coisa que eu, privilegiado, pude constatar isso vinte anos mais tarde, em 1995.

Recordo-me da revolta que senti, embora as coisas estivessem já a ser tratadas e pressionadas na ONU e na Indonésia com muito empenho e competência. Muitos interveniente, como: Jaime Gama, António Guterres, Durão Barroso, Jorge Sampaio, etc. Clinton com alguma pressão actuou, ouvi alguma direita dizer que não havia nada a fazer, estava perdido.

Nos tempos de 1999, já com Habib no poder, no meio da matança, os militares da Indónesia pressionados para resolver, não se sabe o quê, pediam mais militares, quando o que era imperioso era que eles saíssem de uma vez e acabassem com o flagelo. Sobe forte pressão, a mais importante por parte do Presidente Clinton, Habib autorizou a entrada de militares australianos, consequentemente, a saída dos Indonésios.

Vive este momento ao minuto, lembro-me que foi no dia 11 de Setembro de 1999. Estava num restaurante e sai para a rua, para ouvir no carro, a notícia, que esperava ansiosamente. Os australianos autorizados a entrar era o mesmo que dizer: Timor-Leste renasceu e será independente como merece.

Esta é razão porque senti um arrepio na espinha quando ouvi de Timor, dizer-se que iam despedir os militares e as consequências que isso iria a ter, por favor pensem no povo e avancem, as condições agora já outras, está tudo nas vossas mãos.
Um abraço
A. Eduardo Moreira

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