abril 22, 2006


Alzheimer???...

Casos vividos, dramáticos, levam-me a lembranças dolorosas, vividas, dias, meses e anos, alguns ainda presentes. Parar de viver e tentar por tudo a vida.
Quando se trabalha, quando se tem um entusiasmo, seja qual for, aforrar algum dinheiro para ir ver os familiares que estão longe. Para se fazer férias cá dentro ou lá fora, para simplesmente ter uma vida no dia a dia razoável, mantendo a ambição de melhorar isto ou aquilo. A vida corre com alegria sem lamúrias nem lamentações, tudo está em aberto.

Um relacionamento saudável, nada de azedumes, um viver com umas rugas, com umas dores físicas aqui e ali como que em velocidade de cruzeiro deslizando pelas águas limpas como na plena juventude. E porque não?

Porque sim, sim, não partimos ainda, e há que viver, viver. Todos queremos isso em qualquer idade, mas não podemos viver parados, parados de alegria, seja em situação seja, logo, em casa, tem que se ter a mesma força que se teve quando se criaram os filhos. Aí, as forças iam-se buscar nem que fosse ao inferno, com todos os diabos lá dentro. Havia alguém que dependia de nós. Grandes valores se levantam.

Quando somos mais velhos a vida não acaba, é diferente, e tem de se levar no sentido que agora somos nós que dependemos de nós próprios, sem rendição lenta ou apressada, à espera que apareça um milagre do céu que nos tire todas as dores e tristezas.

Em casa é o mais importante, nada de longos dias quase sem se cruzar uma palavra. Os mais novos têm a obrigação de conversar com aqueles que estão com mais dificuldade de enfrentar tantas mudanças e se sentem desintegrados, especialmente pela sua iliteracia.

Esta situação, no nosso país, deveria envergonhar todos os governantes que isto aceitaram criminosamente para as pessoas e para o País, a mesma vergonha para a Igreja, que desde sempre, de forma egoísta e cruel (talvez também estúpida) dedicaram a pregar a religião arrastando o povo e o País para o atraso que ainda nos está cobrindo de vergonha e humilhação, comparado com os outros países nossos vizinhos.

Quase todos os ilustres (Doutores) (são todos) da nossa terra, ainda hoje, vão para a televisão, com grande exibição, (sempre) usando um vocabulário, que, acho, nem eles sabem bem o que estão a dizer, porque só lhes interessa, que fiquem bem na fotografia, que brilhem. Não ajudam ninguém, nem lhes interessa. Nunca vi ninguém na televisão, por exemplo, a prevenir a juventude que se deixa viciar na droga, com as palavras simples de que quem repetidamente (pouco mesmo) fica viciado para sempre, sendo tão grave que os valores mudam de tal maneira, ao ponto de aceitarem normal, que se roube ou agrida os próprios pais o que antes era impensável.

Tudo isto vem a propósito do artigo no DN de 22-04-06 em que se diz alguma coisa, simples e útil (thanks God) sobre o atroz sofrimento de pessoas que, por vezes abandonadas pelos seus, as levaram a um isolamento e humilhação total no final das suas vidas, “vivendo” com estranhos em lares, em grande sofrimento e vergonha. Será que os nossos não merecem algum amor, ou esta palavra só existe para outros sentidos que ninguém entende muito bem?

A. Eduardo Moreira

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