dezembro 14, 2005

TGV – Para Quê?


TGV – Para Quê?

O sentimento a alta velocidade que me chega, por essas ideias pacóvias e a colocação altamente perigosa de nos pormos nos bicos dos pés para nos mostrarmos aos grandes, ou também para os recebermos muito bem e muito subservientes, mostra que realmente somos um País que não tem personalidade, não tem amor próprio.
De que nos serve esconder a nossa tristeza por sermos tão pobres, estarmos tão mal, sermos incultos? Ainda por cima, para além da nossa vergonha, entramos em paranóia e vai de derreter montões de dinheiro para, mais uma vez mostrarmos serviço e tapar o sol com a peneira, perante os nosso vizinhos, agravando tudo.
Este investimento no TGV é mais um mega-disparate, soa mesmo a um fugir para a frente quando o problema é simples.
Nós só crescemos, evoluímos, e começamos a ter orgulho em nós próprios quando nos virarmos para dentro, para o nosso País, não há linha de comboio, por mais rápida que seja, a pensar nos vizinhos ricos, que nos valha, se continuarmos a ser um País que insiste a ter de enviar os nossos e nossas conterrâneos (as) para o estrangeiro trabalhar, como vergonhosamente se tem feito desde os anos sessenta, onde a nossa imagem não passa de outra coisa que não seja “ Portugal é um País de emigrantes, camponeses pobres e incultos tristes e cinzentos e uma classe abastada, atrasada e pirosa vivendo dum passado imperialista snob”.
O Sr. Primeiro Ministro está a dar uma de determinado, em continuar virado para fora, por favor não tenha vergonha de arrepiar caminho vire-se para o desenvolvimento do País, não se preocupe com suas Suas Excelências, se nós não nos desenvolvermos melhor para eles continuam a ter aqui sempre uma barrigada de vénias.
Ainda está a tempo, está na hora de nós próprios, estamos fartos de fazer para Inglês ver, é hora, já muito atrasada, de nos virarmos para dentro. Até já os nossos emigrantes lá fora onde venceram, têm vergonha do que se passa no seu amado País, já não querem ver a RTP Internacional. Acabe lá com esses complexos de inferioridade, olhe de frente para o País que deve governar e não a fazer salamaleques lá para fora Portugal Primeiro.

Eduardo Moreira

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