outubro 29, 2005

PERMANENTE INSTANTE


ARCOBALENO – Escolástica Cordeiro

PERMANENTE INSTANTE

O tempo não te atinge, permaneces
Inviolado, e em mim teces
Esta alegria que o meu corpo alaga:
És a escora que o meu corpo draga.

Esta foto da marina,vista parcial da Horta

Minha lagoa verde (a e azul),
Laço do vento trazido do sul,
Inesperada pausa e alquimia,
Tu és aquele amor, a que aludia

Quando falava do meu descompasso,
Da ausência de luz, do tempo baço
E adivinhava, por dentro o pranto,
Um tempo novo, o que agora canto.

Oh meu divino amor, constelação,
Resisto porque como do teu pão
E bebo a tua seiva e me embriago
E as mortes que sofri, por ti apago.

Rocha de magma, permanente instante,
Sou sempre tua, mas não o bastante,
Meu fresco de “DaVinci”, minha ausência,
Em ti refaço a minha inocência.

Meu litoral, minha assimetria
Sei do teu corpo a geografia
Da tua pele cada sinal:
Meu D. Sebastião de Portugal!

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