Nu artístico- Titulo do DN “Justiça Humana”
É fácil melhorar o desempenho da justiça
Justiça...justiça, o que todos reclamam, será a justiça o quê? Ou será na grande maioria dos casos uma manifestação do ódio pelo outro, o criminoso. Vingança... mais das vezes quando da parte de familiares ofendidos à maior ou à menor ofensa, ou significa também “indemnização monetária”, e muito bem quando justificável. A maioria destes casos não configura prisão.
Numa abordagem “naif” não se compreende a tão complicada e ineficaz execução da dita Justiça “ainda punhos de renda” e muito “snobe” e “pirosa”.
Quem somos nós, simples mortais, pois, já lá vai o tempo dos Imperadores que se achavam deuses, sendo todos os restantes “simples mortais”, para castigar alguém.
Assim sendo, não temos o direito de achar que os arguidos culpados têm de ser castigados, logo, só há uma razão para trancarmos alguém na cadeia: aquela que configura o ser humano de ser, essa pessoa um perigo físico, um criminoso de sangue, perigoso para os demais cidadãos, quando na situação de liberdade.
Diante deste quadro, só terá o Juiz de dizer: “caro concidadão, desculpe lá mas terá de viver restrito aos muros de um estabelecimento de protecção até convencer o Juiz de que pode ser libertado sem por isso pôr em perigo os outros cidadãos. Mas para ser ajudado a esse estatuto de recuperado tem de ter um regime de apoio, numa base de ressentimento igual a zero, desconsiderando no aspecto de acusação dos actos passados, visando só, a evolução positiva no caracter, forçosamente difícil, e recuperar o respeito dos outros cidadãos “reprogramando” uma mentalidade, onde a dignidade não seja uma palavra vã.
Ouvi uma doente de anorexia dizer que quando atingiu o peso de trinta e poucos filos o espelho lhe dizia que estava gorda. Problema de “software” só ficará bem quando se conseguir “reprogramar”.
Provada que for uma possível e normal inserção na sociedade, ainda aqui (modelo a considerar) com o apoio de familiares, amigos, empresários etc. numa colaboração com o Estado, que somos todos nós, colaborando com os nossos governantes nesta missão que lhes tem sido impossível de resolver, através de contrapartidas, e, de uma vez por todas, começar a resolver um problema que vai engordando, consumindo e envergonhando uma sociedade no século XXI.
Podemos tirar centenas de pessoas das prisões e inseri-las na sociedade com a ajuda dos familiares, amigos, empresários. Isto a pedido dos responsáveis pela justiça, pedindo ajuda à sociedade civil despendendo para com estes cinquenta por cento do que gastam quando eles estão presos e recuperando-os como cidadãos e como seres humanos que são. E fácil
Mórbido
Publicado no DN em 2003

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